A investigação sobre a morte do produtor rural Marcos Daniel Nornberg, de 48 anos, ocorrida em Pelotas, ganhou novos contornos com a análise de áudios, vídeos e perícias que sugerem uma possível execução. O caso aconteceu no dia 15, quando policiais militares entraram na propriedade de Nornberg baseados em uma informação falsa ou imprecisa de criminosos presos no Paraná, que indicaram o sítio como esconderijo de uma quadrilha.
A principal hipótese trabalhada pelas autoridades é de que Nornberg tenha sido atingido por um "tiro de misericórdia" enquanto já estava caído e ferido no chão. O depoimento da viúva, Raquel Motta, é contundente: ela relatou estar deitada ao lado do marido quando ouviu um policial dizer "mexeu a cabeça" antes de efetuar o disparo final. Essa versão é corroborada por áudios do circuito interno de TV, que registraram um tiro isolado cerca de 15 segundos após o término do confronto inicial.
A perícia técnica reforça a tese de execução ao identificar que os disparos fatais tiveram trajetória de cima para baixo e foram feitos a curta distância, evidenciada por "tatuagens de pólvora" (vestígios de combustão à queima-roupa) na face e no pescoço da vítima. Embora os policiais aleguem legítima defesa — já que o produtor reagiu com uma carabina .22 ao pensar que a casa estava sendo assaltada —, a quantidade de disparos (pelo menos 16 tiros de fuzis e pistolas) e o intervalo do último tiro indicam possível homicídio doloso.
Além do disparo final, a Corregedoria da Brigada Militar apura uma série de falhas críticas na operação. Entre os erros listados estão a falta de checagem sobre o perfil do produtor (que não tinha antecedentes criminais), a ausência de monitoramento prévio da área e a decisão de realizar a abordagem às 3h da manhã, sob escuridão total. Há também indícios de que alguns policiais não estavam uniformizados, o que teria confundido Nornberg, que já havia sido vítima de assaltantes que se passaram por policiais anos antes.